Filha de dependente de crack encontra a mãe

Filhos de dependentes Semana Nacional Antidrogas

Seja bem vindo ao site da Nacoa (Associação Nacional para filhos de alcoolistas e dependentes químicos). A Nacoa produz há mais de 25 anos material educativo para a prevenção do alcoolismo e uso de drogas entre filhos de dependentes. Nos Estados Unidos 1 em cada 4 crianças e adolescentes vivem com um dependente de álcool ou drogas. No Brasil ainda não existem estatísticas que quantifiquem o tamanho dessa população, mas com base nos indíces de prevalência entre a população em geral podemos afirmar que são centenas de milhares e mais provavelmente milhões de crianças e jovens brasileiros que convivem com um dependente.
Filhos de dependentes são a população de maior risco para virem a se tornar dependentes além de terem riscos aumentados para o desenvolvimento de doenças mentais como depressão e ansiedade.
As atividades da Nacoa Brasil no país (que é filiada a Nacoa USA mas atua de forma independente como as demais ao redor do mundo) iniciaram no ano passado e alguns materiais já traduzidos estãoi disponíveis no site para livre utilização desde que citada a fonte.
Saiba como você pode ajudar uma criança que convive com um dependente no menu crianças.
Na página principal temos o documentário premiado Infância Perdida: Crescendo em um lar com alcoolistas, além de vídeos com dinâmicas para serem utilizadas ao abordar o problema do álcool e drogas com as crianças.

Infância perdida: Crescendo em uma família com alcoolistas

Na Semana Nacional Antidrogas cujo tema é prevenção, a Nacoa tem o prazer de apresentar o documentário premiado Infância Perdida, crescendo em uma família com alcoolistas. O filme com duração de 27 minutos, produzido pela jornalista Emerald Yeh mostra a realidade dos filhos de dependentes que participam de um acampamento de verão dirigido a esse público. Esse público que infelizmente não recebe nenhuma atenção quando ocorre o debate sobre políticas de prevenção, sendo o de maior risco de virem a se tornar dependentes, além dos riscos aumentados para o desenvolvimento de distúrbios emocionais.
A dublagem foi realizada de forma gratuita por Sérgio Moreno Filmes e a participação voluntária de todo o casting,um trabalho perfeito que possibilitará o acesso a um maior número de pessoas ao conteúdo que será distribuído a preço de custo no formato dvd.

Seminario internacional sobre filhos de alcoolistas e dependentes quimicos

seminario internacional sobre filhos de alcoolistas e dependentes quimicos

Como falar sobre dependência com crianças – Parte 3

Como falar sobre dependência com crianças – Parte 2

Como falar sobre dependência com crianças – Parte 1

Caminhos para a recuperação filhos e família de dependentes

Seminario internacional sobre filhos de alcoolistas e dependentes quimicos

Experiências de adolescentes

Aqui temos as experiência de pessoas como você também convivem ou já conviveram com um pai ou mãe dependentes de álcool. Mais informações na seção para crianças.

 

Negligência é a minha vida

A vida tem vários desafios e todos lidam com esses desafios de maneiras diferentes. Alguns escrevem, outros lutam. Todos na minha família parecem querer afogar seus problemas com álcool.

Quando tinha seis anos nao via os problemas que minha família tinha que encarar. Meu mundo era grande e cheio de maravilhas vista nos olhos de um garotinho curioso, mas ter pais alcoólatras fez com que meu mundo ficasse bem menor. Nunca consegui colocar em palavras o quanto assustado, envergonhado e incomodado eu ficava quando ele bebiam.

Aprendi cedo a descobrir o que meus pais estavam pensando e sentindo. Eu precisava saber o que me aguardava em casa. Meus pais se separaram. Fiquei com meu pai a maior parte do tempo porque minha mãe bebia muito mesmo.

Uma vez, meu pai deixou eu e um amigo numa noite de sexta feira em casa e não voltou. Fomos para a casa do meu amigo, lembro que a mãe dele parecia ser bem legal. Meu pai não voltou pra casa até sábado, não tinha me deixado nenhum dinheiro, nada. Ele veio me buscar na casa do meu amigo e eu sabia que ele estava de ressaca. Ele não falou nada no caminho de volta para casa e fui direto pra cama assim que cheguei. Na manhã seguinte ele agiu como se nada tivesse acontecido. Ele tinha esquecido que no dia anterior tinha sido meu aniversário .

Daniel

Perdi minha infância para ser pai

Meus pais brigavam quase todo dia quando eu era pequeno. Eu tinha medo do meu pai porque ele bebia muito. Eu nunca sabia o que ele poderia fazer para minha mãe, pra mim ou pras minhas irmãs. Sempre sentia que ele podia bater nela ou em um de nós. Em uma vez que ele bateu em nós, achei que merecíamos porque tinhamos feito algo de errado.

Eu era jovem e não tinha idéia do que acontecia com ele. Só sabia que ele vinha para casa bêbado todos os dias, brigava com minha mãe e deixava tudo de cabeça pra baixo. Sempre tentei deixar as outras crianças de fora dessa confusão. Eu fazia a janta delas e depois ajudava na lição de casa. As brigas não paravam enquanto ele não dormia. Eu ouvia minha mãe no telefone falando com suas irmãs. Ela chorava e jurava que largaria ele, mas ela nunca fez isso.

de manhã a casa sempre estava quieta. Minha mãe não saía da cama então tinha que fazer meu café da manhã, preparar o lanche de todos e levar pra escola minhas irmãs. Tudo isso enquanto me esforçava para não acordar meu pai e minha mãe. E foi assim por vários anos. Meu pai nunca parou de beber e minha mãe nunca deixou ele.

Quando cresci, um amigo me convenceu a ir a uma reunião de Al-anon. Eu não queria ir e não achava que precisava falar sobre o assunto porque meu pai não estava mais por aqui. Cara, eu estava errado. Eu tinha muito pra falar e um monte de sentimentos sobre tudo que tinha acontecido na minha casa. Ajudou muito simplesmente contar a alguém como foi a minha história.

Anônimo

Sempre com medo.

Eu tive tudo que queria da minha lista de natal depois que meus pais se separaram quando eu tinha 11 anos. Minha mãe poderia gastar o resto do ano pagando as contas. Presentes de natal eram muito importantes pra ela, porque quando era criança ela praticamente não teve nada. Ela não queria que isso acontecesse com seus filhos. Depois da separação, meu pai não nos visitava muito a não ser nos feriados, mas geralmente ele não dava nada pra gente.

Meu pai era algo que podíamos chamar de alcoólatra “raivoso”, batendo na minha mãe, entrando em brigas. Aprendemos cedo a ficar longe dele quando ele chegava bêbado em casa. Algumas vezes eu queria cuidar dele, fazer ele comer alguma coisa ou ajudar ele a tirar seu uniforme de trabalho, mas ele sempre ficava bravo, gritava comigo e mandava eu ficar longe. Ele nunca falava com a gente. Minha mãe implorava pra ele parar de beber e ameaçava largar ele e depois de muitos anos ela acabou fazendo isso. Ela costumava falar que o dia mais feliz da vida dela seria quando meu pai estivesse a sete palmos do chão. Eu não acreditava que ela queria que meu pai morresse. Quando meu pai morreu, minha mãe estava acabada e acabou não sendo o “dia mais feliz da vida" pra ela.

Eu lembro de estar preocupado, 24 horas por dia sobre o que iria acontecer. Eu ainda sinto medo muitas vezes e nem sei porque. Você se acostuma a sentir isso. Eu fico muito triste, principalmente quando penso sobre como foi crescer naquela casa.

Suzi

Meu pai

Desde que me lembro de alguma coisa, meu pai sempre estava bêbado. Ele não era um bêbado “mau”, acho que até ficava "alegre” demais, mas ainda bem que minha mãe estava sempre por perto para impedir que ele ficasse "alegre” demais com as meninas. Meu terapeuta disse que esse pode ser um dos motivos de eu ter alguns problemas de relacioanento. Meu pai nunca falou nada sobre o assunto e nós aprendemos a ficar longe dele porque sempre estava bêbado ou de ressaca.

De qualquer forma, meu pai nunca fez parte de nada. Não lembro de nada quando eu era pequena, a não ser que minha mãe sempre mandava a gente ir até o bar para tentar fazer ele voltar pra casa…o que lógico, nunca acontecia até que fosse bem tarde. Encontramos ele dormindo na mesa da cozinha na hora de ir pra escola.

Na adolescência nunca trouxe amigos em casa, nem sabia porque, mas acho que eu tentava de alguma forma esconder meu pai de todos.

Depois da minha formatura de segundo grau os pais de meu melhor amigo me convidaram pra jantar e durante o jantar a mãe do meu amigo perguntou se pai estava vivo….lembro de ter ficado totalmente chocada com essa pergunta “estúpida”, lógico, meu pai estava vivo. Demoraram vários anos para descobrir o porque dessa pergunta….mas era porque nunca falava sobre meu pai, então eles imaginaram que ele estava morto.

Falando em formatura, ela é uma história a parte. Eu tenho várias histórias assustadoras com meu pai, como na vez que encontramos ele jogado na calçada numa noite de inverno e pensamos que ele tinha morrido. n Eu era a representante de classe porque era bem comportado e tinha boas notas. Então, no dia da formatura, fiz um discurso. Meu pai disse que iria, mas ele não não apareceu…lembro dele jogado no sofá quando voltei pra casa. ,

Eu sinto muita tristeza e penso bastante sobre como crianças e jovens não deveriam crescer num ambiente desses. Agora percebo que a maior parte do tempo estava totalmente envergonhada ou com medo do que poderia acontecer com meu pai.

-Sandro

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