Quando as filhas adultas de alcoolistas e dependentes químicos tornam-se mães.

Crescer com a dependência química é muitas vezes traumatizante e pode levar ao stress pós-traumático. Se as questões relacionadas com TEPT continuam não resolvidas, podem tornar-se um gatilho na criação de filhos. Mesmo que o álcool ou drogas não estejam mais lá, o pensamento, sentimento e comportamento podem permanecer. Setembro é o “Mês de recuperação.” Sis Wenger, CEO da Associação Nacional para Filhos de Alcoolistas queria se concentrar especificamente sobre as mães para a revista Counselor Magazine. Ela me fez algumas perguntas sobre como crescer com um ou ambos pais alcoólistas pode impactar na criação dos filhos.

Sis: Eu acho que as pessoas ainda não percebem a extensão do impacto da dependência entre os membros da família, especialmente as crianças que NACoA tem como seu publico alvo.

Tian: Eu acho a mesma coisa, Sis, e ainda me surpreende. O fato que ainda nos envolvme é que o desenvolvimento da infância é seriamente afectado pelo desenvolvimento em um ambiente com dor e confusão permeando as dinâmicas que cercam a dependência de álcool e outras drogas.

Sis: E que o trauma permanece com eles e afeta a forma como criam seus filhos?

Tian: Sim. Crianças cujas respostas de luta ou fuga são ativadas de forma muito frequente devido à confusão e as dinâmicas perturbadoras que ocorrem em um ambiente no qual a dependência está presente podem vir a ficar traumatizadas com a experiência.

O trauma pode surgir anos ou mesmo décadas mais tarde em uma reação de estresse pós-traumático. Os filhos adultos de alcoolistas (FAAs) podem experimentar uma forma de TEPT.

Sis: Porque os problemas dos FAAs são tão escondidos?

Tian: FAAs são muitas vezes grandes empreendedores; com bons empregos ou carreiras brilhantes. então na superfície eles podem ser bastante funcionais e bem sucedidos. No entanto, sua hipervigilância e feridas podem permanecer escondidos debaixo de defesas que estão em vigor desde a infância.

Sis: Como esta velha dor são passadas para frente quando FAAs tem filhos?

Tian: Pessoas traumatizadas tendem a ter uma certa hipervigilância. Eles “não sabem o que é ser normal” , a falta de referência pode fazer com que não saibam quando se preocupar com algo ou não.

Crianças que crescem assistindo a um pai desaparecer lentamente devido ao alcoolismo ou uso de drogas experiencia uma grande dor, perda e confusão. Este medo em torno de perder o que você ama é passado junto.

Sis: Eu noto que FAAs, especialmente mães FAAs, muitas vezes superprotegem seus filhos.

Tian: Muitas vezes, os filhos que crescem em um ambiente com um dependentem sentem-se abandonados emocionalmente. Isso pode levá-los a ser excessivamente envolvidos e excessivamente protetores em relação a seus filhos. Há, naturalmente, um lado positivo, mães FAAs estão muito mais conscientes do que é a sensação de estar com medo e sozinha.

Sis: E muitas vezes há uma inversão de papéis?

Tian: Sim, exatamente, FAAs são muitas vezes pequenos cuidadores de seus pais e irmãos mais novos; os papéis se invertem. Eles colocaram os pais alcoolizados para dormir, confortam o outro progenitor, mantem a casa arrumada, arruma o jantar e o lanche da escola. Eles não fazem isso porque um dos pais está a organizar todos nas tarefas, eles fazem isso para preencher a lacuna que adultos disfuncionais estão deixando em casa. Eles fazem isso com um considerável nível de dor e ansiedade. Muitas crianças que invertem os papéis ganham um lugar na família ao tornarem-se cuidadores e podem eventualmente continuar a viver os seus padrões de cuidadora da infância quando tornam-se pais.

Sis: Você pode dar alguns exemplos específicos de situações como essa?

Tian: Por exemplo, se a mãe FAA está ansiosoa mas bloqueando esse sentimento, ela pode assumir que o seu filho é ansioso e tentar resolver essa situação na criança. Ou, se a mãe FAA tem uma sensibilidade exagerada a rejeição, ela pode dar atenção exagerada quando um filho é rejeitado por um amigo. Eles não sabem como mensurar suas próprias reações emocionais; elas muitas vezes podem responder de forma exagerada ou não responder.

Sis: E isso é feito sem consciência?

Tian: Geralmente, sim. ACoAs muitas vezes não sabem que eles não sabem. As defesas de infância para não sentir tanta dor emocional pode ser muito forte. Quando crianças reprimimos e”esquecemos ou dissociamos da dor sobre as quais não podem fazer nada a respeito. É a natureza do trauma. Crianças que estão sentindo-se sobrecarregadas pelo caos em torno delas dissociam e congelan seus sentimentos porque é a única maneira que eles podem obter qualquer sentimento de controle. Afinal, eles são pequenos e dependentes de seus pais; eles estão presos pela vulnerabilidade da sua idade e tamanho.

Quando eles crescem e tornam-se adultos, eles simplesmente não têm uma visão madura do que aconteceu e como isso os afetou. Eles são adultos maduros e funcionais que carregam uma criança ferida.

Sis: Então essa criança interior ferida dentro de FAAs é “acordada” quando eles têm seus próprios filhos?

Tian: Exatamente. Há uma reação de luto chamado de “reação por correspondência de idade” que eu acho particularmente interessante quando se trata de FAAs. Essencialmente, isso significa que quando os nossos próprios filhos chegam a uma idade que anteriormente era dolorosa para nós, pode-se exagerar em relação a alguns comportamentos. Nós misturamos a nossa própria dor não resolvida que a nossa própria criança interior carrega com nossos filhos.

Sis: Por que FAAs não reconhecem isso e tentam obter ajuda?

Tian:O que temos é uma armadilha porque FAAs muitas vezes têm a capacidade de entender o que aconteceu com eles, mas confundem o entendimento racional,com processamento emocional,; sua dor permanece intocada e não processada. Eles podem falar sobre ela, mas não senti-la, processá-la

Tian: A boa notícia é que, para muitos de nós, o trauma fecha uma porta e abre outra, fazendo com que o crescimento que altera a vida aconteça. Se as mães FAAs buscarem ajuda estarão em uma posição privilegiada, porque elas sabem o que não fazer. Elas sabem o que fez bem e o que machucou. Uma vez que eles processem a sua própria dor podem organizar este profundo conhecimento e consciência e usá-los para o bem. Elas podem tornar-se altamente motivados para contribuir de maneira positiva e poderosa para a vida de seus filhos e as gerações subsequentes. Eles podem fazer a diferença.

Sis: Obrigado,
Tian. Como sempre, seus insights e sensibilidade à dor de crescer em famílias atingidas pela dependência são muito esclarecedores

Sis Wenger é presidente e CEO da NACoA Nationa Association for Children of Alcoholics
Tian Dayton é Doutora em Psicologia Clínica e diretora do New York Psychodrama Training Institute

Texto original
http://www.huffingtonpost.com/dr-tian-dayton/when-adult-children-of-al_b_8061092.html

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Filha de dependente de crack encontra a mãe

Filhos de dependentes Semana Nacional Antidrogas

Seja bem vindo ao site da Nacoa (Associação Nacional para filhos de alcoolistas e dependentes químicos). A Nacoa produz há mais de 25 anos material educativo para a prevenção do alcoolismo e uso de drogas entre filhos de dependentes. Nos Estados Unidos 1 em cada 4 crianças e adolescentes vivem com um dependente de álcool ou drogas. No Brasil ainda não existem estatísticas que quantifiquem o tamanho dessa população, mas com base nos indíces de prevalência entre a população em geral podemos afirmar que são centenas de milhares e mais provavelmente milhões de crianças e jovens brasileiros que convivem com um dependente.
Filhos de dependentes são a população de maior risco para virem a se tornar dependentes além de terem riscos aumentados para o desenvolvimento de doenças mentais como depressão e ansiedade.
As atividades da Nacoa Brasil no país (que é filiada a Nacoa USA mas atua de forma independente como as demais ao redor do mundo) iniciaram no ano passado e alguns materiais já traduzidos estãoi disponíveis no site para livre utilização desde que citada a fonte.
Saiba como você pode ajudar uma criança que convive com um dependente no menu crianças.
Na página principal temos o documentário premiado Infância Perdida: Crescendo em um lar com alcoolistas, além de vídeos com dinâmicas para serem utilizadas ao abordar o problema do álcool e drogas com as crianças.

Infância perdida: Crescendo em uma família com alcoolistas

Na Semana Nacional Antidrogas cujo tema é prevenção, a Nacoa tem o prazer de apresentar o documentário premiado Infância Perdida, crescendo em uma família com alcoolistas. O filme com duração de 27 minutos, produzido pela jornalista Emerald Yeh mostra a realidade dos filhos de dependentes que participam de um acampamento de verão dirigido a esse público. Esse público que infelizmente não recebe nenhuma atenção quando ocorre o debate sobre políticas de prevenção, sendo o de maior risco de virem a se tornar dependentes, além dos riscos aumentados para o desenvolvimento de distúrbios emocionais.
A dublagem foi realizada de forma gratuita por Sérgio Moreno Filmes e a participação voluntária de todo o casting,um trabalho perfeito que possibilitará o acesso a um maior número de pessoas ao conteúdo que será distribuído a preço de custo no formato dvd.

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Como falar sobre dependência com crianças – Parte 3

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Caminhos para a recuperação filhos e família de dependentes

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